Notícia  
A volta da histórica Estrada de Ferro Mauá
30/05/2008 - 10h14


-A Estrada de Ferro Mauá, obra pioneira do barão de Mauá, que unia a Corte do Rio de Janeiro à Raiz da Serra, em Petrópolis, mesmo em ruínas, tem alto potencial turístico e sua restauração representaria um ganho importante para o turismo fluminense.

Em palestra sobre o tema no Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio, o assessor de Projetos Especiais da TurisRio, Luiz Brito Filho fez um passeio histórico pela primeira ferrovia do Brasil, construída por Irineu Evangelista de Souza, futuro barão e visconde de Mauá, e inaugurada por D. Pedro II em 30 de abril de 1854. Utilizando-se de slides ele mostrou fotos das paisagens da época, com as construções, os personagens que fizeram a história da ferrovia e das ruínas que restaram da ferrovia que marcou época no Império.

O projeto da via férrea unindo a Corte à Cidade Imperial previa um traçado de 14,5 km que partindo do Porto de Mauá (Guia de Pacobaíba), em Magé, atingia a localidade de Fragoso. Dois anos depois foi concluída uma extensão de 2 quilômetros, que se desenvolvia por planícies paludosas cortadas pelos rios Caioaba e Inhomirim, até a Raiz da Serra..

Na constituição da Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro Petrópolis, incumbida da construção, foi o próprio Irineu Evangelista quem subscreveu dois terços do capital de 2 mil contos de réis.

Brito acrescentou que a locomotiva que transportou a comitiva imperial na viagem inaugural ganhou o nome de Baronesa, em homenagem à mulher de Irineu Evangelista, a baronesa Maria Joaquina. A máquina é a peça mais importante da história ferroviária brasileira. Inteiramente restaurada, encontra-se em exposição no Museu do Trem, no bairro do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, ao lado do Estádio Olímpico João Havelange.

Com a construção da ferrovia, Petrópolis tornou-se o centro de veraneio por excelência da Corte, do mundo político e do corpo diplomático, que fugiam da canícula carioca para se beneficiar das amenidades do clima da serra.

Para acessar a estrada, explicou Brito, num ponto da Praia de Mauá, em Magé, o imperador e sua comitiva se deslocavam do Largo da Prainha, próximo à atual Praça Mauá, na barca Guarany, até a localidade de Guia de Pacobaíba. Aí era feito o transbordo para o comboio puxado pela locomotiva Baronesa.

A TurisRio, empresa vinculada à Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, prosseguiu Luiz Brito, vem apoiando desde 1993 todas as iniciativas dos ferroviaristas e participado dos projetos relativos à viabilização da histórica ferrovia. Em 2002, um decreto do governo estadual instituiu uma ligação marítima entre a Praça XV e o porto de Mauá, como primeira etapa de um modal que conectado à via férrea restaurada, possibilitaria a inserção de um transporte de massa com o turismo. A iniciativa permanece à espera de um empreendedor.

A proposta, acrescentou, é de atribuir a execução do projeto e sua exploração comercial à iniciativa privada com a formação de um consórcio, cabendo ao governo do estado a execução das obras de infra-estrutura, como dragagem da baía e da praia de Magé. O projeto possibilitaria o surgimento de atrativos complementares, como por exemplo, a criação de um Parque Temático em Guia de Pacobaíba, com restaurantes, pousadas, tudo inspirado na arquitetura colonial.

Num primeiro momento, explicou o assessor, o projeto ficaria em torno de R$ 10 milhões, incluindo estudos de viabilidade e de avaliação do impacto ambiental, bem como da questão das bitolas e do material rodante a ser utilizado. Nesses estudos estaria incluído também o eventual reassentamento de populações instaladas junto à antiga via férrea, entre outros.

- Os projetos existem, só falta agora reunir os esforços do governo e da iniciativa privada para concretizar um sonho acalentado há muito pelos amantes do ferroviarismo e daqueles que buscam atrativos novos para o desenvolvimento do turismo fluminense, concluiu Luiz Brito Filho.




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